domingo, 30 de novembro de 2014

Lembrança

E de mim, ficou só a lembrança, 
ficou só aquele olhar gravado em foto;
aquele olhar, não se sabe pra onde e aquele sorriso, não se sabe por quê,
aquele gosto de entardecer colorido e de noite estrelada de verão.
De mim, ficou o sorriso para a lua e para o céu,
o jeito de menina eterna,
os pensamentos de poeta.
De mim, ficou o amor por viver e o ver viver.
Uma vírgula aqui, se algum dia for o caso. 
Ou um ponto aqui. 
Mas sempre um novo parágrafo.
Em outra linha ou nesta. 
Desde que a poesia nunca termine.

Cedo

Enquanto as coisas ainda são assim, 
enquanto nosso agora ainda não é história, 
enquanto ainda só há folhas tenras antes dos botões,
deixo nossos sorrisos se infiltrarem nas brechas dos minutos aglomerados.

Mar calmo

Eu me achei sentada na areia, 
num dia cinza de mar calmo,
vestida de renda leve que o vento leva,
segurando um colar de conchas que quer ir para onde o vento o manda.
Eu me achei desse jeito, parada no tempo,
mas sem medo de prosseguir. 
Eu aqui enquanto você dorme.
Eu deitada e o sábado preguiçoso. 
Eu tranquila e o mar sereno.
E só.

domingo, 13 de abril de 2014

Fotografia

E se numa tarde de domingo qualquer, eu te visse aparecer no meu portão de grades 
brancas, com um sorriso radiante, e com os olhos de quem parece que me 
olha pela primeira vez,
eu te pediria perdão por não ser só tua durante nosso abraço.
Porque enquanto teus braços me embalassem,
eu não apagaria da nossa cena o céu branco de outono,
o vento morno e deliciosamente sem graça, que dá sono e atiça os sonhos,
o momento em que a tarde espera ansiosa pelas estrelas.
Pensar assim não seria traição: seria apenas um olhar fotográfico sobre o nosso amor.

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Passo a passo

Esquecer da dor. E sentir dor de novo para reaprender a sorrir. Ensinar ao próprio corpo torto que a felicidade é a postura correta. Depois do primeiro sorriso, dor de deixar para trás a tristeza, bactéria que confunde negativamente os pensamentos. Depois do segundo sorriso, desconforto por não ter plano algum para o futuro. Inspirar ar puro sem preocupações, e perceber que sorrir não dói mais. Sorrir pela terceira vez, com o peito já estufado e leve, boiando na brisa fresca de sonhos novos, e talvez melhores. E sorrir pela quarta vez, pela centésima vez, e descobrir, ao acordar, que não parou de sorrir nem para dormir.

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Origem

Desse jeito: sem pretensões, sem objetivos distantes, sem metas complicadas. Desse jeito: compartilhando horizontes, pores-do-sol psicodélicos e a música simples do bem-te-vi. Cheirando a chuva, a tarde e a noite, a terra molhada, e os dias brancos e cheios de nuvens. Fechando os olhos para entender melhor a brisa. Abrindo os olhos para entender melhor a névoa. Permitindo que os detalhes mais simples saiam do anonimato. Deixando que os sonhos saiam das listas escritas e esquecidas nas agendas de anos passados. Aprendendo com o sorriso e as lágrimas. E crescendo, sempre.